Produtivos. Competentes. E cada vez mais distantes de sim mesmos.
A maioria dos líderes não tem um problema de estratégia. Tem um problema de desconexão consigo mesmos.
Não é a falta de inteligência. Tampouco a falta de conhecimento técnico.
O problema é que muitos líderes já não conseguem sentir. Não me refiro a sentimentalismo.
Estou falando da capacidade de perceber.
Perceber a si mesmo, aos outros, o ambiente ou, ainda, perceber os sinais que a vida insiste em mostrar.
Tenho uma teoria: ninguém nasce desconectado de si.
Quando um bebê chora, ele sente.
Quando uma criança se encanta, ela sente.
Quando algo a machuca, ela percebe.
Mas, em algum momento da vida, começa um treinamento sutil. E assim chega o:
“Engole o choro.”
“Seja forte.”
“Pare de reclamar.”
“Não faça drama.”
E, sem perceber, aprendemos que sentir é um problema. Que demonstrar vulnerabilidade é fraqueza.
Que produtividade significa ganhar pontos. Que desempenho tem um significado maior do que realmente deveria ter.
Então acontece algo, no mínimo, peculiar: Primeiro deixamos de sentir, depois deixamos de escutar. Até que deixamos de perceber.
E nos tornamos adultos funcionais. Produtivos, competentes, eficientes. Mas, ainda assim, incapazes de responder uma pergunta simples:
Como eu estou?
Quem sabe seja por isso que tantos profissionais bem-sucedidos convivam com ansiedade, insônia, exaustão e uma sensação difícil de explicar.
A sensação de que algo está faltando. Mesmo quando, aparentemente, está tudo certo.
E então o corpo faz aquilo que a mente tentou evitar durante anos. Ele fala. Através da ansiedade, da irritação, do esgotamento, da falta de sentido.
Dos sintomas que insistimos em tratar como “defeitos”, quando talvez sejam mensagens.
Como se a própria natureza dissesse:
“Você passou anos olhando para fora, agora é hora de olhar para dentro.”
Na minha experiência, os maiores desafios da liderança raramente começam na gestão de pessoas.
Eles começam no distanciamento de si.
Porque quem não consegue escutar a própria voz acaba se tornando dependente da validação externa.
Quem perdeu a capacidade de perceber a si mesmo dificilmente conseguirá compreender, de fato, as pessoas que lidera.
Por isso, bato na tecla de que a liderança não começa quando aprendemos a conduzir equipes.
A liderança chega bem antes, quando, de fato, reaprendemos a escutar aquilo que um dia nos ensinaram a calar.
E você?
Tem se escutado…? Ou está ao melhor estilo Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar”?…
E olha que ela pode levar mesmo.
Nem sempre para onde imaginamos…
Juliana Genevieve


