Liderança de si e a procrastinação
Tenho notado uma “estranha coincidência”.
Após anos acompanhando líderes em processos de mentoria, percebi um padrão que se repete independentemente da idade, do cargo ou do setor.
É raro ouvir pessoas declararem que não sabem o que fazer. Em vez disso, costumam dizer algo como:
“Eu sei exatamente o que deveria fazer. O que eu não sei é o por que não consigo levar adiante essa decisão.”
Exemplo disso?
A pessoa sabe que precisa delegar e continua centralizando, ou sabe que precisa cuidar da própria saúde, mas se coloca sempre em último lugar. Percebe que deveria dizer “não”, estabelecer limites ou mudar de direção. Ainda assim, adia. Mais uma vez, e depois, outra.
Percebi ainda, que esse conflito não se reduz a falta de disciplina ou de competência.
Ele faz parte da própria condição humana.
Quanto a isso, Aristóteles, dois milênios atrás, já percebia tal inclinação humana e a batizou de akrasia.
Refere-se ao fato de que, embora reconheçamos a melhor decisão, escolhemos agir contrariamente a ela.
E esse fenômeno aparece com muito mais frequência entre líderes do que imaginamos uma vez que liderar não seja apenas administrar equipes. Antes disso, é liderar a si mesmo.
O aspecto mais interessante é que Aristóteles não escreveu sobre a akrasia para apontar para nossas fraquezas. Escreveu para mostrar que elas podem ser transformadas.
Para ele, ninguém nasce virtuoso. Nós nos tornamos aquilo que praticamos.
A coragem, portanto, se constrói em pequenos gestos corajosos. A disciplina, por sua vez, se fortalece de maneira sutil em tarefas simples, como na escolha que fazemos, dia após dia.
Na própria liderança, o maior resultado, vem, inclusive da mudança de hábitos, o que consiste na repetição de pequenos ajustes conscientes.
Na lacuna, entre aquilo que sabemos e aquilo que fazemos, que uma nova liderança começa a emergir.
E você como líder, já havia notado essa “estranha coincidência?”



